VIAGENS NA MINHA TERRA


"Que viaje à roda do seu quarto quem está à beira dos Alpes, de Inverno, em Turim, que é quase tão frio como S. Petersburgo - entende-se. Mas com este clima, com este ar que Deus nos deu, donde a laranjeira cresce na horta, e o mato é de murta, o próprio Xavier de Maistre, que aqui escrevesse, ao menos ia até o quintal." in
Garrett, Almeida - Viagens na minha terra. Porto: Figueirinhas, 1973
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quarta-feira, maio 31, 2017

Projeto concluído

O ano letivo está a terminar e com ele este projeto que se iniciou em 2010.

Resta agradecer a todos quantos ajudaram a construir este trabalho e àqueles que nos acompanharam lendo e comentando as mensagens aqui postadas.

A frase inicial deste blogue foi retirada de "Viagens na minha Terra" de Almeida Garrett.
A finalizar, um poema do livro recentemente publicado "What's in a name" de Ana Luísa Amaral.


Mediterrâneo

Os mares de Homero deixaram
de trazer, esbeltas, as suas naves

em nome dos sem-nome, continua.
por desertos de areia, desertos sem
sentido, continua. por rostos do deserto,
os do sem nome ou rosto, continua.
ao fundo do deserto, diz-se gotas de
sangue e grãos de areia, a esfinge
no deserto, continua. no verdadeiro
nome do espesso fluido que se diz
vital, em toneladas certas, continua.

Os divinos moínhos moendo devagar
fina farinha, inúteis mares de pó

Ana Luísa Amaral


Nesta reta final, paralelamente a este blogue foi sendo ensaiado novo Projeto (basta clicar na imagem para aceder).

Continuação de Boas Leituras!





segunda-feira, janeiro 04, 2016

Ana Luísa Amaral

Escritora do mês


Ana Luísa Amaral - Portal da Literatura




Na autobiografia curtíssima do livro Vozes fala de beijos e cebolas. Assim de repente, parece uma combinação esdrúxula.
Pois. Posso pensar? Não é uma pergunta simples. Sempre achei que o texto tem a ver com a vida. O que existe é uma espécie de deflexão. Como com um lápis dentro de água: não é reflectido, é deflectido. O que fica da vida, do mundo, é um rasto. Mas esse traço está lá mais ou menos fingido. A mão que escreve tem um braço, esse braço tem um corpo, esse corpo pertence a alguém. Esse alguém vive, ama, odeia, tem sentimentos, e é do seu tempo. Desse poema, não posso escamotear a minha própria vida. Estou a arranjar uma maneira inteligente de evitar entrar pela minha vida, falando de beijos e cebolas...
Fonte: Público
ANA LUÍSA AMARAL
Nasceu em Lisboa, em 1956, e vive, desde os nove anos, em Leça da Palmeira. É Professora Associada na Faculdade de Letras do Porto. Tem um doutoramento sobre a poesia de Emily Dickinson. As suas áreas de investigação são Poéticas Comparadas, Estudos Feministas e Teoria Queer. É autora, com Ana Gabriela Macedo, do "Dicionário de Crítica Feminista" (Afrontamento, 2005) e coordenou a edição anotada de "Novas Cartas Portuguesas" (Dom Quixote, 2010). Coordena neste momento o projeto internacional financiado pela FCT Novas Cartas Portuguesas 40 anos depois, que envolve 13 equipas internacionais e mais de 15 países. Tem em preparação dois livros de ensaios. 
Os seus livros de poesia estão editados em vários países como França, Brasil, Suécia, Holanda, Venezuela, Itália, Colômbia e brevemente no México e na Alemanha. Os seus livros infantis estão editados em França e na Colômbia. Em 2014 sairá no Reino Unido um livro de ensaios sobre a sua obra. 
Em torno dos seus livros de poesia e infantis foram levados à cena espetáculos de teatro e leituras encenadas (como "O olhar diagonal das coisas", "A história da Aranha Leopoldina", "Próspero morreu" ou "Amor aos Pedaços"). 
Wook.pt - VozesEm 2007 teve o Prémio Literário Casino da Póvoa/Correntes d'Escritas, com o livro "A Génese do Amor", também selecionado para o Prémio Portugal Telecom. No mesmo ano, foi galardoada em Itália com o Prémio de Poesia Giuseppe Acerbi. O seu livro "Entre Dois Rios e Outras Noites", obteve, em 2008, o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores e, em 2012, o seu livro "Vozes" obteve o Prémio de Poesia António Gedeão

Integrada nas comemorações do Centenário do Liceu Feminino do Porto

Palestra: (clicar no link para ver imagens do evento)
2ª feira - 11 de Janeiro - 11H:20m
Salão Nobre
Escola Básica e Secundária Carolina Michaëlis




sábado, abril 18, 2015

Projeto de Poesia com Google Maps

Proyecto de literatura con Google Maps ~ Docente 2punto0


Criatividade só está ligada aos limites que vamos impor. 


Um exemplo é o projeto Vozes e versos do Sahel, que combina poesia e mapas do Google.


Recursos da web Center para professores

quinta-feira, abril 16, 2015

Tertúlia


Dinamização: Grupo de Preofessores de Português




quinta-feira, fevereiro 12, 2015

Dia de S. Valentim

Todas as cartas de amor...

Resultado de imagem para cartas de amor são sempre ridículas

Fernando Pessoa(Poesias de Álvaro de Campos)

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)


Álvaro de Campos, 21/10/1935

fonte: http://www.releituras.com/fpessoa_cartas.asp



quinta-feira, dezembro 25, 2014

Boas Festas

Nesta quadra festiva, como cartão de Boas Festas, divulgamos um pequeno vídeo. Quem sabe, poderá servir de inspiração para  ... um Bom Ano 2015.






A Dra. Regina Gouveia enviou o poema:

Do azevinho, o rubro.
Do vinho  e da canela,  o aroma.
Das ruas, o soar da música,
o vozear da gente,
que em compras se afadiga,
imune ao vento rude.
Da  festa em família, a alegria
no rosto das crianças espelhada.
Assim se exibe o Natal, ano após ano.
No seu verso, sem estrofe,
no seu verso  desvalido, desumano,
um ror de gente sofre,
calada.


Feliz Natal 2014
Regina Gouveia



domingo, abril 27, 2014

Vasco Graça Moura, um intelectual renascentista no século XXI


ver mais informação aqui










sexta-feira, agosto 02, 2013

Festival Varandas

 
O Festival Varandas convida todos a olharem para o alto dos edifícios da Baixa do Porto. Estes pequenos terraços suspensos vão ser palco de literatura, música, dança ou poesia
 

 
 
A partir do dia 2 de Agosto, e até Setembro, um passeio pela Baixa pode tornar-se numa saída cultural, já que a cultura vai estar à espreita nas varandas do Porto. É o Festival Varandas que está de volta e traz momentos de dança, música, poesia, literatura e até teatro.
 
 


quarta-feira, maio 15, 2013

segunda-feira, março 11, 2013

Semana da Leitura


"Navegar nos Livros"

 

Clique aqui para responder ao questionário de avaliação desta semana da Leitura


Ao longo desta "Semana da Leitura" propomo-nos
"navegar nos livros".
Assim, iniciamos com a abertura de uma
"feira do livro usado"
que estará disponível até 6ª feira à tarde.
Durante a tarde de 2ª feira, no auditório, pode assistir-se a uma representação de "Os Maias"
Recorda-se a existência, na BE/CRE, de diversos exemplares desta obra de Eça de Queirós que poderão ser objeto de requisição domiciliária.


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Na 3ª feira, pelas 12 Horas, "Encontro com a escritora Laura Costa", na BE/CRE.

Em tempo oportuno foi colocada informação, neste blogue, sobre a autora e os livros que ofereceu à BE/CRE. Pode ser consultada em http://bibcarolmich.blogspot.pt/2013/02/laura-costa-escritora.html










Pelas 15:30 H recebemos no Anfiteatro 0.3  o
Investigador principal do Centro Interdisciplinar de Investigação Marítima e Ambiental da  Universidade do Porto  (CIIMAR) para uma palestra sobre

Pescas: Como são capturados e chegam até nós os alimentos do
mar?
a partir do livro: “Que Comemos?”
(que a Editorial da Universidade do Porto ofereceu à BE/CRE)
Resumo:
Após uma breve explicação sobre as pescas e o seu estado atual, serão referidos todos os métodos de captura do pescado, com ênfase nos mais utilizados em Portugal. Serão explicados os princípios de funcionamento de cada um deles, o seu respeito maior ou menor pelo ambiente e pelo pescado, o circuito que geralmente seguem e a sua relação com a qualidade final do pescado obtido.

Seguidamente, pretende-se fazer uma perspetiva do futuro da pesca e do papel da aquacultura nesse futuro.
Área: Ciências do Meio Aquático

Público-alvo: alunos do 3.º ciclo do ensino básico e ensino secundário.
 
 
 
 
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Na 4ª feira, pelas 15:30H, no Anfiteatro 0.3 e em

comemoração do centenário da publicação da obra de Niels Bohr
"Estrutura de átomos e moléculas"
o Professor Catedrático Jubilado Carlos Corrêa, da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto vai certamente encantar os jovens e os adultos que queiram comparecer para uma amena cavaqueira sobre ciência, fundamentalmente física e química.

Continuando a navegar, recorda-se que o referido livro da autoria do físico Niels Bohr pode ser requisitado na BE/CRE para leitura domiciliária.

 
 
 
 
 
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5ª feira, para os mais novinhos alunos da Escola Carolina Michaëlis (1º ciclo), pelas 14:00 H, no Anfiteatro 0.3 vamos exibir o filme de animação baseado no livro de José Saramago
"A maior flor do mundo"
relatado pelo próprio autor.


 
Na BE/CRE encontram-se vários exemplares deste título que poderão ser requisitados para leitura domiciliária.


Pelas 21:00 H, na Auditório da Escola Carolina Michaëlis haverá oportunidade de assistir a uma
"Tertúlia de Poesia"
Convidado especial: Poeta José Almeida

 
Declamação de poesia por poetas, alunos, professores e convidados
  • Fado
  • Canções
  • Tango argentino
E uma insustentável leveza da alma.


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6ª feira pelas 10:30 H, na BE/CRE será exibido o DVD

"Fernando Pessoa"

oferta da casa Fernando pessoa e disponível para requisição domiciliária.


Assinalando o DIA DE CAROLINA MICHAËLIS, será feito destaque do fundo documental, de obras relacionadas.


Para saber mais consultar http://bibcarolmich.blogspot.pt/2012/03/carolina-michaelis-de-vasconcelos.html


Visita à Exposição permanente de Fotografia sobre
"Os lugares de Carolina Michaëlis e Joaquim de Vasconcelos", na Sala de Estudo



 
16:00 H - Encerramento da "feira do livro usado"

 







sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Teatro / Poesia

"O que vai na cabeça do menino Manuel"

7, 8, 9 e 10 de Março 2013
Escolas, 1º e 2º Ciclo do Ensino Básico:
Quinta e Sexta-feira, 10h30 e 15h00*
Público em geral, Maiores de 6 anos:
Sábado e Domingo, 16h00

*sessões por marcação prévia


Ficha de apoio pedagógico



quinta-feira, fevereiro 14, 2013

A invenção do amor

 
 
Em todas as esquinas da cidade

nas paredes dos bares à porta dos edifícios públicos
 
nas janelas dos autocarros

mesmo naquele muro arruinado por entre anúncios
 
de aparelhos de rádio e detergentes

na vitrine da pequena loja onde não entra ninguém

no átrio da estação de caminhos de ferro
 
que foi o lar da nossa esperança de fuga

um cartaz denuncia o nosso amor

Em letras enormes do tamanho do medo
 
da solidão da angústia

um cartaz denuncia que um homem e uma mulher

se encontraram num bar de hotel

numa tarde de chuva
 
entre zunidos de conversa

e inventaram o amor com carácter de urgência

deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia quotidiana

Um homem e uma mulher que tinham olhos e coração e

fome de ternura

e souberam entender-se sem palavras inúteis

Apenas o silêncio
 
A descoberta
 
A estranheza de um sorriso natural e inesperado
 
Não saíram de mãos dadas para a humidade diurna

Despediram-se e cada um tomou um rumo diferente

embora subterraneamente unidos pela invenção conjunta

de um amor subitamente imperativo

 
 
Um homem uma mulher

um cartaz de denúncia
 
colado em todas as esquinas da cidade

A rádio já falou
 
A TV anuncia iminente a captura
 
A polícia de costumes avisada

procura os dois amantes nos becos e avenidas

Onde houver uma flor rubra e essencial

é possível que se escondam
 
tremendo a cada batida na porta fechada para o mundo

É preciso encontrá-los antes que seja tarde

Antes que o exemplo frutifique
 
Antes que a invenção do amor se processe em cadeia
 
 

Há pesadas sanções para os que auxiliarem os fugitivos
(...)


Daniel Filipe
A Invenção do Amor e Outros Poemas
Lisboa, Presença, 1972




A Invenção do Amor e Outros Poemas